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20 Julho, 2026
Arte & Sociedade

Biscoito ou bolacha? Conheça a história dessa paixão brasileira

Dia 20 de julho é comemorado o Dia do Biscoito, e talvez este seja o momento perfeito para investigar essa história. Afinal, antes de escolher um lado nessa disputa, vale descobrir como surgiu um dos alimentos mais populares do mundo e como ele conquistou um lugar especial na mesa e no coração dos brasileiros.

Biscoito ou bolacha? Conheça a história dessa paixão brasileira

Crocante, recheado, amanteigado, doce ou salgado. Pode acompanhar o café, fazer parte do lanche da tarde ou ser aquela receita especial preparada em casa pela mãe ou pela vó, uma coisa é certa, ele está presente em vários momentos nosso.

Mas basta falar sobre ele para uma das maiores discussões da gastronomia brasileira começar: É biscoito ou bolacha?

Dia 20 de julho é comemorado o Dia do Biscoito, e talvez este seja o momento perfeito para investigar essa história. Afinal, antes de escolher um lado nessa disputa, vale descobrir como surgiu um dos alimentos mais populares do mundo e como ele conquistou um lugar especial na mesa e no coração dos brasileiros.

 

Afinal, como surgiu o biscoito?

 

Sua história é muito mais antiga do que podemos imaginar. Se voltarmos milhares de anos no tempo, encontraremos alguns dos primeiros registros de preparações semelhantes aos biscoitos entre povos da Antiguidade. A ideia era relativamente simples: misturar cereais triturados com água e levar a massa ao calor, o resultado era um alimento seco, resistente e fácil de levar para qualquer lugar.

Mais do que uma receita criada para acompanhar o café, os primeiros biscoitos tinham uma função extremamente prática: conservar alimentos por mais tempo.

Por possuírem pouca umidade, podiam ser armazenados durante longos períodos. Isso fez com que versões primitivas dos biscoitos se tornassem importantes para viajantes, soldados e, posteriormente, marinheiros durante grandes travessias.

Durante a expansão das rotas marítimas europeias, os biscoitos ganharam um papel importante nas embarcações. Conhecidos em diferentes lugares como hardtack ou biscoitos de viagem, eram preparados com farinha e água e assados até ficarem extremamente secos e duráveis, afinal, as viagens poderiam durar meses, dessa forma, alimentos resistentes eram fundamentais.

 

Quando o açúcar passa a integrar a receita?

 

Com a popularização do açúcar na Europa, especialmente a partir dos séculos XVI e XVII, as receitas começaram a ganhar novos ingredientes, como o próprio açúcar, a manteiga, especiarias e frutas secas, que juntas transformaram o biscoito de um alimento mais funcional em uma receita com muito mais sabor.

A partir desse momento, os biscoitos passam a aparecer em mesas nobres, confeitarias e as famosas casas de chá da época.

Nesse período diferentes países começaram a desenvolver suas próprias receitas e tradições. Na Inglaterra, os biscuits (como eram chamados os biscoitos) tornaram-se companheiros do chá, na França, surgiram outros tipos de biscuits e preparações na confeitaria, já nos EUA, os chamados cookies ganharam identidade própria. E, com o passar do tempo, cada cultura encontrou sua maneira de transformar farinha, gordura e açúcar em pequenas receitas cheias de personalidade.

 

E como o biscoito chegou ao Brasil?

 

A tradição dos biscoitos chegou ao Brasil principalmente pela influência europeia e foi rapidamente adaptada aos ingredientes disponíveis por aqui, como a farinha de mandioca, o polvilho, o milho, coco e outros produtos tipicamente brasileiros que começam a trazer a identidade do país para as receitas.

Foi dessa forma que nasceram as preparações que hoje fazem parte da nossa identidade gastronômica como o biscoito de polvilho, o sequilho, o casadinho, a broa, o biscoito de nata, dentre tantas outras receitas regionais que atravessam gerações e continuam presentes até hoje.

 

Então, já sabemos como o biscoito chegou no Brasil, mas agora nos deparamos com a grande pergunta: é biscoito ou bolacha?

 

Aqui começa uma das discussões mais divertidas da língua portuguesa no Brasil.

Em algumas regiões, especialmente no Rio de Janeiro e em partes do Nordeste, a palavra biscoito é predominante. Já em São Paulo e em diversas regiões do Sul, bolacha aparece com muito mais frequência.

A palavra biscoito tem origem no latim bis coctus, expressão que significa algo como “cozido duas vezes”. A origem está relacionada ao antigo processo de assar determinados alimentos mais de uma vez para retirar a umidade e aumentar sua conservação.

A palavra bolacha está relacionada à ideia de um pequeno bolo ou objeto de formato achatado, ou seja, do ponto de vista da língua e da história, as duas palavras existem e podem ser utilizadas.

A verdadeira diferença está principalmente nos hábitos linguísticos e culturais de cada região, discussão essa que revela a diversidade cultural do Brasil e provavelmente nunca terá uma resposta definitiva se é “biscoito ou bolacha” e essa é justamente a melhor parte.

Fato é, que a forma como chamamos os alimentos diz muito sobre o lugar onde crescemos, as pessoas com quem convivemos e as tradições que carregamos.

O Brasil é um país de dimensões continentais, onde uma mesma receita pode mudar de nome, ingredientes e modo de preparo ao atravessar uma fronteira estadual, e essas diferenças ajudam a contar a história da nossa brasilidade e independentemente do lado escolhido nessa discussão, uma coisa é praticamente unânime: poucas coisas são tão boas quanto o aroma de uma fornada de biscoitos saindo do forno.

 

Agora queremos saber: Na sua casa é biscoito ou bolacha?

 

Independentemente da resposta, uma boa receita e uma nova fornada sempre serão motivos suficientes para voltar para a cozinha.

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